UNIDADE 1 - QUEM É O IDOSO

OBJETIVO
Compreender quem é o idoso, sua construção social e história. 

CONTEÚDO
1.1 Introdução
O Brasil está envelhecendo. Dados do IBGE  mostram que há quase 23,5 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade, 10,9% da população total do Brasil. É a faixa etária que cresce com maior velocidade: 260 mil por ano. A expectativa é que, em 2060, o país tenha 58,4 milhões de pessoas idosas (26,7% do total). O que explica esse aumento não é só a melhoria da qualidade de vida, que ampliou a expectativa de vida dos brasileiros, que pulará de 75 anos em 2013 para 81 anos em 2060 - com as mulheres vivendo, em média, 84,4 anos, e os homens 78,03 anos -, mas também a queda na taxa de fecundidade dos últimos 50 anos, que passou de 6,2 filhos nos anos 1960 para 1,77 (estimativa) em 2013. 
Esse processo de envelhecimento populacional reflete-se como um dos maiores desafios para a saúde pública contemporânea, especialmente nos países em desenvolvimento, onde a pobreza e a desigualdade social ganham destaque. No entanto, esta transição demográfica pode refletir ganhos para o Estado e para a sociedade, visto que se apresenta como um produto da redução da fecundidade, da mortalidade infantil e da mortalidade nas idades mais avançadas. 
Antes de entender a relação do idoso com a sociedade é preciso conhecer o processo de envelhecimento e delimitar quem é o idoso. Apesar de serem conceitos amplamente discutidos, existem algumas organizações científicas com pesquisas nesta área específica devido: ao aumento da população idosa brasileira e a formação de movimento em prol dos idosos; à urgência de formação de pessoal, principalmente na área da Saúde/ Enfermagem, com habilidades e competências direcionadas ao cuidado do idoso; e ao entendimento acerca do processo de envelhecimento e às especificidades presentes na fase da velhice.

1.2 Conceito de idoso
O conceito de idoso é diferenciado para países em desenvolvimento e para países desenvolvidos. Nos primeiros, são consideradas idosas aquelas pessoas com 60 anos e mais; nos segundos são idosas as pessoas com 65 anos e mais. Essa definição foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas , por meio da Resolução 39/125, durante a Primeira Assembleia Mundial das Nações Unidas sobre o Envelhecimento da População, relacionando-se com a expectativa de vida ao nascer e com a qualidade de vida que as nações propiciam aos seus cidadãos.
O critério cronológico é um dos mais utilizados para estabelecer o ser idoso, apesar de ser o menos preciso, até na delimitação da população de um determinado estudo ou com propósitos administrativos e legais voltados para desenho de políticas públicas e para o planejamento ou oferta de serviços. Os fenômenos do envelhecimento e da velhice e a determinação de quem seja idoso, muitas vezes, são considerados com referência às restritas modificações que ocorrem no corpo, na dimensão física. Mas é desejável que se perceba que, ao longo dos anos, são processadas mudanças também na forma de pensar, de sentir e de agir dos seres humanos que passam por esta etapa do processo de viver. 
O ser humano idoso tem várias dimensões: biológica, psicológica, social, espiritual e outras, que necessitam ser consideradas para aproximação de um conceito que o abranja e que o perceba como ser complexo. Considerando a relação do todo com as partes e vice-versa, o ser idoso não pode ser definido só pelo plano cronológico, pois outras condições, tais como físicas, funcionais, mentais e de saúde, podem influenciar diretamente na determinação de quem seja idoso. 
Considerando a questão filosófica e ao mesmo tempo buscando encontrar uma resolução prática, a lei brasileira determina que o idoso é a pessoa que tem 60 anos ou mais. Porém, o envelhecimento é um processo que se constrói no transcorrer da existência humana. Ninguém se torna velho aos 60, 70, 80 anos; pelo contrário, o envelhecimento acontece a cada dia que passa na vida de alguém, do mais novo ao mais velho.  É importante reconhecer que a idade cronológica não é um marcador preciso para as mudanças que acompanham o envelhecimento. Há idosos que ainda têm 50 anos e adultos que já completaram 65 anos.

1.3 Postura da sociedade
Os mitos que permanecem a respeito da velhice prejudicam o bom envelhecimento e dificultam uma inserção dos idosos na sociedade. O que se percebe são ciclos que ocorrem ao longo da história. Períodos em que os idosos são valorizados são seguidos por crises entre jovens e velhos e posterior desvalorização do ancião. Hoje, para uma parcela economicamente ativa da população idosa, existe um movimento de valorização, pois esta população impulsiona mercados como o de turismo e serviços para a terceira idade. Entretanto, a parcela economicamente inativa torna-se descartável num sistema capitalista, que é baseado em produzir e consumir.
Autores afirmam que essa exclusão sofrida pelos idosos ocorre desde os primórdios da industrialização, uma vez que muitos se tornavam fisicamente incapacitados para o trabalho industrial, tal realidade tornou-se ainda mais cruel no contexto recente da reestruturação produtiva, que acompanha a emergência das novas tecnologias de automação industrial. É aí que a obsolescência de conhecimentos que acomete os trabalhadores idosos, dada principalmente pelo seu distanciamento temporal do sistema educativo, passa a ser determinante no aumento da sua desvalorização profissional e, consequentemente, social. 
Os meios de comunicação também têm um papel importante na construção desta terceira idade. A televisão e o cinema, particularmente, possuem um grande potencial para influenciar nos conceitos acerca da velhice. As parcelas da população mais influenciáveis são as crianças e jovens. Estes meios funcionam como um espelho da sociedade e contribuem para estabelecer ou validar modelos de comportamento. Porém o número de pessoas idosas que aparecem nos programas ou filmes não corresponde à realidade encontrada na sociedade. Neste caso, a mensagem que é passada é de que o velho não é importante. A imagem passada pelos meios de comunicação afeta também a autoestima dos idosos. A validação social é crucial para o desenvolvimento de todas as pessoas e os anciãos não são diferentes. Faz-se necessária uma conscientização da importância desses meios na constituição da velhice. Assim pode-se começar a mudar a visão que a sociedade possui do que é ser velho na atualidade.  
A sociedade atual está caracterizada pelo distanciamento entre suas gerações. Há uma gradual compartimentalização de espaços através de faixas etárias diferentes, consideradas por um olhar apressado como algo natural, mas que foi socialmente construída durante a modernidade. Em outros momentos da história, crianças, adolescentes, adultos, jovens e idosos compartilhavam os mesmo lugares e situações, fossem domésticas, de trabalho ou festivas. Essas formas de interação são transitórias e datadas; hoje se verificam cisões bem demarcadas entre o mundo da criança, o mundo do adolescente e o mundo adulto que se reproduzem no campo da sociabilidade e educação; tal distanciamento tem se mostrado empobrecedor de um ponto de vista psicológico e cultural, além de fonte de muitos preconceitos.  
Há alguns mitos e preconceitos que cercam os idosos, que levam pessoas a adotar medidas e comportamentos inadequados em relação aos idosos. Alguns acreditam que a inteligência diminui com o passar dos anos, ou então que param de aprender. Nenhum dos dois fatores é verdade. A realidade mostra como é grande a produção intelectual, artística, empresarial, social e religiosa de pessoas acima dos 60, 70, 80 ou mais. Errado também quem pensa acredita que idoso está mais perto da morte ou que eles não têm futuro, pois na sociedade atual todos estão próximos da morte, porque a qualquer instante uma fatalidade pode ocorrer, pois para morrer basta estar vivo. O idoso deve se preparar para o futuro, encarando sua velhice como uma etapa importante da vida.

PARA LEMBRAR
  • O Brasil passa por uma transição demográfica de envelhecimento, devido ao aumento da expectativa de vida da população e diminuição da taxa de fecundidade.
  • Apesar de o critério cronológico não ser o mais preciso, a lei brasileira determina que o idoso é a pessoa que tem 60 anos ou mais.
  • A sociedade adota medidas e comportamentos inadequados em relação aos idosos por causa dos mitos e preconceitos que cercam os idosos, sobre suas limitações e vulnerabilidades.

PARA REFLETIR
  • Como você lida com a velhice?
  • Você conhece alguém com mais de 60 anos e que não se considera idoso?
  • Qual seu relacionamento com pessoas de faixas etárias diferentes da sua?

REFERÊNCIAS
LEMOS, Daniela; et. al. Velhice. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/e-psico/subjetivacao/ tempo/velhice-texto.html>. Acesso em: 01 jul. 2016.
QUEM pode ser considerado idoso. Disponível em: <http://www.estatutodoidoso.com/quem-pode-ser-considerado-idoso/>. Acesso em: 8 abr. 2016.
SPIRDUSO, W. W. Dimensões físicas do envelhecimento. Barueri, SP: Manole, 2005.

Ministério com Idosos

Aprenda sobre a importância de um ministério com idosos e ideias práticas que podem ser aplicadas em sua igreja