UNIDADE 01 – INTRODUÇÃO, MATEUS E MARCOS 

OBJETIVO 
Compreender os Evangelhos, suas diferenças e estudar Mateus e Marcos. 

CONTEÚDO 
1.1 Introdução 
1.1.1 Considerações preliminares 
Os Evangelhos são a principal fonte de informações sobre a vida, a obra e o sofrimento de Jesus Cristo. 

1.1.1.1 O que é um evangelho? 
O termo grego euangelion significa “boa notícia”. A versão grega do AT traduz o termo hebraico besorah por euangelion, trazendo consigo o significado de salvação vindoura. É nesse sentido que Jesus se apresentou: como o mensageiro da alegria (Lc 4.16-21) e como o causador dos sinais dos tempos, ligados à época da salvação, que estavam acontecendo por meio dele (Mt 11.5). 
O Evangelho foi registrado em forma escrita por causa da expansão da igreja cristã que exigia a transmissão do mesmo por meio de um texto exato e igual para todos os locais em que era pregado. 
O texto era dirigido aos recém-convertidos a Jesus. Eles precisavam saber quem era esse Jesus, o que Ele disse e o que fez. 

1.1.1.2 As características peculiares dos quatro evangelhos 
Quem compara os quatro Evangelhos do NT percebe logo que os três primeiros são muito semelhantes; por isso, são chamados de sinópticos. O quarto Evangelho tem o seu próprio estilo de apresentação. 

Dentre as distinções pode-se destacar: 
  • No esboço: os sinópticos têm uma estrutura simples – falam do batismo de Jesus, de fatos ocorridos na Galileia, da viagem de Jesus a Jerusalém e o que se passou lá. Já o Evangelho de João descreve várias peregrinações de Jesus da Galileia a Jerusalém. Desses dados consegue-se calcular o tempo do ministério público de Jesus, que durou três anos. 
  • Na forma de ordenação do material: os sinópticos organizaram o seu material do ponto de vista geográfico, enquanto João está construído sobre uma estrutura biográfica. 
  • Na escolha dos temas: os sinópticos relatam atos de Jesus; João destaca o ensino. 
  • Na apresentação dos adversários de Jesus: os sinópticos descrevem os adversários de Jesus com as suas características e tarefas diferenciadas: fariseus e escribas, saduceus e sacerdotes. Em João, os oponentes de Jesus são denominados judeus. 
  • Na apresentação dos discursos de Jesus: nos sinópticos eles consistem em frases curtas. No evangelho de João encontramos discursos que levam à reflexão e meditação. 
  • Na autodenominação de Jesus: quando Jesus fala de si mesmo nos Evangelhos sinópticos ele se denomina Filho do Homem. Também no Evangelho de João se fala do Filho do Homem, mas mais importantes são as autodenominações Filho de Deus ou Filho. 

Estas e outras diferenças são realidade porque os quatro Evangelhos são endereçados a grupos diferentes de leitores. Isso leva a ênfases diferenciadas na apresentação de Jesus. 

1.2 O Evangelho de Mateus 
1.2.1 Conteúdo 
Foi o livro que mais influenciou a história da igreja cristã. Formava a base para a instrução dos novos convertidos sobre as palavras e a vida de Jesus Cristo. 

1.2.2 Gênero literário 
A característica mais importante do Evangelho de Mateus é seus discursos, que terminam sempre com palavras semelhantes no seu conteúdo: “Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, …” (7.28; 11.1; 13.53; 19.1; 26.1). Isso dá a impressão de que o autor reuniu os discursos de Jesus em sequências temáticas. 

1.2.3 Contexto histórico 
Na sua essência, o Evangelho é um lecionário, o guia de catequese na instrução do cristianismo primitivo. Recém-convertidos a Jesus Cristo precisavam desse tipo de instrução sobre os principais temas da fé cristã. 

1.2.4 Ênfases teológicas 
O aspecto principal no Evangelho de Mateus é o ensino sobre Jesus, ou seja, a cristologia. Mateus quer demonstrar que Jesus de Nazaré é o Messias tão esperado pelo povo judeu. Mas há outros destaques no livro. Na soteriologia demonstra uma tensão entre o particularismo (ministério de Jesus voltado aos judeus – 10.5-6) e a universalidade (a salvação é para todos – 2.1-12; 28.19). Sobre a eclesiologia, somente este evangelista traz declarações específicas, mencionando a igreja (16.18; 18.15-17). Na área da escatologia, Mateus traz longos discursos de Jesus sobre o fim dos tempos (24 e 25). 

1.2.5 Autor 
O evangelho não faz menção alguma a seu autor. O nome de Mateus vem dos Pais da Igreja, como Eusébio e Irineu. São eles que mostram que o Evangelho foi escrito primeiramente em hebraico e depois traduzido pelo próprio Mateus para o grego. 
Este Mateus tem seu nome descrito em todas as listas de apóstolos: Mateus 10.3; Marcos 3.18; Lucas 6.15 e Atos 1.13. É denominado cobrador de impostos (10.3) com o nome Levi (Mc 2.13-17; Lc 5.27-32). Disso conclui-se que seu nome era Levi Mateus. 

1.2.6 Destinatários, local e data 
Os leitores desse evangelho eram cristãos-judeus familiarizados com os costumes judaicos e com o AT. Foi escrito na cidade de Antioquia da Síria, em 66 d.C.

1.3 O Evangelho de Marcos 
1.3.1 Conteúdo 
A ênfase deste Evangelho está nos atos de Jesus. Eles são apresentados em relatos breves e dão uma visão nítida dos milagres de Jesus, dos seus efeitos sobre os habitantes da Palestina e das discussões de Jesus com os líderes judeus. É o mais breve dos sinópticos. 

1.3.2 Contexto histórico 
A mensagem libertadora de Jesus Cristo é associada ao começo do Reino de Deus (1.15). Marcos dá importância especial a esse aspecto e ressalta os efeitos disso na vida das pessoas. Elas experimentaram os milagres, ficaram admiradas e ouviram a sua pregação de arrependimento, que causava tanto o protesto dos teólogos judaicos quanto a fé genuína de pessoas muito simples. 
Tudo isso acontecia na Galileia, que para os judeus mais religiosos não era exatamente o melhor lugar para o aparecimento do Messias e para o início do Reino de Deus. Mas Jesus veio exatamente para os pecadores, para os gentios. É isso que Marcos aprendeu de Paulo e redescobriu nos relatos de Pedro sobre a vida de Jesus. 

1.3.3 Ênfases teológicas 
Marcos economiza no uso do título Messias aplicado à pessoa de Jesus nos primeiros capítulos de seu registro. Relata inclusive que Jesus ordenava aos seus discípulos e às pessoas curadas por ele que não falassem dele. Marcos queria documentar algo importante: se Jesus quisesse realizar a missão que o Pai celestial lhe delegara, Ele precisaria de tempo. Confessar precocemente que era o Messias teria causado o fim do seu ministério e o registro precoce desta verdade faria com que os romanos não lessem o Evangelho, pois não toleravam a reivindicação do poder por alguém que não fosse o imperador. 

1.3.4 Unidade 
Os versículos 9-20 do capítulo 16 não constam em alguns dos manuscritos mais antigos. Possivelmente Marcos teve que fugir repentinamente de Roma sem poder concluir seu escrito e só depois escreveu o final do seu Evangelho e o enviou a Roma. Isso explicaria a ruptura no texto, mantendo o estilo e a atitude crítica de Marcos (16.14). 

1.3.5 Autor 
O evangelho não cita o nome do autor. O título vem de índices do NT escritos no século II, nomeando João Marcos como o autor. Na casa de sua mãe, Maria, os cristãos se encontravam (At 12.12). Era primo de Barnabé (Cl 4.10). 
Na primeira viagem missionária ele acompanhou Paulo e Barnabé (At 12.25; 13.5), mas seu ministério foi breve e ele regressou a Jerusalém (At 13.13). Mais tar.de, Marcos é novamente mencionado como colaborador de Paulo (Fm 24; Cl 4.10; 2Tm 4.11) conseguindo a aprovação do mesmo. 

1.3.6 Destinatários, local e data 
Escrito à igreja em Roma, da cidade de Roma, em 64 d.C. 

REFERÊNCIAS E SUGESTÕES DE LEITURA 
BRUCE, F. F. Merece confiança o Novo Testamento? São Paulo: Vida Nova, 1990. 
DOCKERY, David S. Manual bíblico Vida Nova. Trad. Lucy Yamakami e Hans Udo Fuchs. São Paulo: Vida Nova, 2001. 952 p. 
GEISLER, Norman L.; NIX, William E. Introdução bíblica: como a Bíblia chegou até nós. Trad. Oswaldo Ramos. São Paulo: Vida, 1997. 253 p. 
HÖRSTER, Gerhard. Introdução e síntese do Novo Testamento. Trad. Valdemar Kroker. Curitiba: Esperança, 1996. 197 p. 
SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL. Manual bíblico SBB. Trad. Lailah de Noronha. Barueri: SBB, 2008. 814 p. 

Introdução ao Novo Testamento

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