UNIDADE 01 - BÍBLIA 

OBJETIVO 
Compreender a origem, a natureza e a importância da Bíblia como Palavra de Deus. 

CONTEÚDO 
A palavra “Bíblia” deriva da palavra grega biblion (rolo ou livro). Mais exatamente, um biblion era um rolo de papiro (uma planta semelhante a uma taquara, cuja casca interna era secada para se tornar um material de escrita de uso generalizado no mundo antigo). Hoje a palavra tem uma conotação mais significativa: refere-se ao Livro por excelência, o registro conhecido da revelação divina. 

1.1 Revelação 
No livro de Jó, vemos uma pergunta muito interessante: “Pode alguém conhecer a Deus em profundidade?” (Jó 11.7). Vejamos: 
  • DEUS: é Criador (Gn 1.1), existe livremente, separado da existência do homem, é onisciente, é onipotente, etc. 
  • SER HUMANO: foi criado (Gn 1.27), é limitado em poder, em conhecimento e está em completa dependência de Deus. 

Há, portanto, grandes diferenças entre Deus e o ser humano: diferença de existência, de conhecimento (só Deus conhece verdadeiramente a Si mesmo; nosso autoconhecimento não inclui o conhecimento de Deus) e também no aspecto moral/espiritual. 

Desta forma, como poderia o ser humano conhecer a Deus? Existe uma única solução para este problema: Deus precisa se revelar! 

Existem dois tipos de revelação: 
1.1.1 Revelação Geral 
A revelação geral se dá por meio dos seguintes meios: 
  • Da Criação (At 14.15-17; Rm 1.19-20);
  • Da História (Dn 2.21) e
  • Dad Consciência (Gn 1.26-27; Rm 2.14-15; Jo 1.4,9).
Leia os textos indicados e veja como esta revelação acontece. 

A revelação geral:
  • Proporciona conhecimento de Deus;
  • Dá base para a vida moral da sociedade (Rm 2.14-15);
  • Torna o homem culpado diante de Deus (Rm 1.20) e
  • Favorece o entendimento da revelação especial.

1.1.2 Revelação Especial 
É o desvendamento que Deus faz de si mesmo, dentro da história da salvação e nas Escrituras. Conforme Hebreus 1.1-3, Deus se revelou “muitas vezes e de muitas maneiras”. Algumas destas maneiras são: 
1) Sortes: At 1.21-26 (escolha de Matias); 
2) Teofanias: Êx 3.2 (teofania é uma manifestação visível ou audível de Deus); 
3) Urim e Tumim: Êx 28.30; 
4) Anjos: Lc 2.10; 
5) Eventos: Ez 25.7; 
6) Profetas e Apóstolos: Ef 3.5; 
7) Sonhos: Gn 31.11ss; Mt 2.12; 
8) Milagres: Êx 4; Jo 5.36; 
9) Visões: At 10; Apocalipse; 
10) Verbo Encarnado (Jesus): Jo 1.1,14,18 e 
11) Escrituras: o registro das revelações de Deus, para as gerações seguintes. 

1.2 Inspiração 
Inspiração é a “influência sobrenatural, exercida pelo Espírito Santo, sobre homens divinamente escolhidos, em virtude da qual seus escritos tornaram-se fidedignos e autoritários” (Carl F. H. Henry). Podemos afirmar que enquanto a revelação é o conteúdo, a inspiração é o meio. Dois textos são extremamente importantes para este tema: leia 2Tm 3.16 e 2Pe 1.21. 

1.3 Canonização 
Por canonização das Escrituras queremos dizer que, de acordo com “padrões” determinados e fixos, os livros incluídos na Bíblia são considerados partes integrantes de uma revelação completa e divina, que é autoridade em relação à fé e à prática. A palavra grega kanon derivou do hebraico kaneh, que significa junco ou vara de medir (Ap 21.15); daí tomou o sentido de norma, padrão ou regra (Gl 6.16). 

A canonização de um livro da Bíblia não significa que a nação judaica ou a igreja tenha dado a esse livro a sua autoridade canônica; antes, significa que sua autoridade, já tendo sido estabelecida em outras bases suficientes, foi reconhecida como pertencente ao cânon e assim declarado pela nação judaica e pela igreja cristã. O Sínodo de Jamnia (90 d.C) reconheceu oficialmente os livros do AT e o Concílio de Cartago (397 d.C.) reconheceu os 27 livros do NT. 

1.4 Preservação 
É a operação divina que garante a permanência da Palavra Escrita, com base na aliança que Deus fez acerca de Sua Palavra eterna (Sl 119.89,152; 1Pe 1.23). Os céus e a terra passarão (2Pe 3.10), mas a Palavra de Deus permanecerá (Mt 24.35; Is 40.8). 

Quando pensamos no fato da Bíblia ter sido objeto especial de infindável perseguição, a maravilha da sua sobrevivência transforma-se em milagre. Por dois mil anos, o ódio do homem pela Bíblia tem sido persistente, determinado, incansável e assassino. Todo esforço possível tem sido feito para corroer a fé na inspiração e autoridade da Bíblia, e inúmeras operações têm sido levadas a efeito para fazê-la desaparecer. Decretos imperiais foram passados ordenando que todas as cópias existentes da Bíblia fossem destruídas, e quando essa medida não conseguiu exterminar e aniquilar a Palavra de Deus, ordens foram dadas para que qualquer pessoa que fosse encontrada com uma cópia das Escrituras fosse morta (Ver Jr 36.27-32). 

Hoje a estratégia de Satanás sobre a Palavra de Deus é diferente, pois já que ele não consegue destruí-la, procura desacreditá-la (negando sua inspiração) e corrompê-la com interpretações pervertidas da verdade (1Tm 4.1,2; 2Tm 4.3-4; 2Ts 2.9-12). A nós, pois, como igreja, cabe a responsabilidade de defender e preservar a verdade (1Tm 3.15; 2Tm 2.15). 

1.5 Iluminação 
É a influência ou ministério do Espírito Santo que capacita todos os que estão num relacionamento correto com Deus para entender as Escrituras (1Co 2.12; 1Jo 2.27). Este despertamento do Espírito pode ser prejudicado pelo pecado, pois é dito que o cristão que é espiritual discerne todas as coisas (1Co 2.15), ao passo que aquele que é carnal não pode receber as verdades mais profundas de Deus que são comparadas ao alimento sólido (1Co 3.1-3). 

1.6 Interpretação 
É a explicação do sentido das palavras ou frases de um texto, para torná-los compreensíveis. O estudo da interpretação é chamado de hermenêutica, e, em razão de sua abrangência, será trabalhado em uma disciplina específica. 

Aplicações: 
Compreendendo que Deus se revelou, que as Escrituras foram inspiradas, canonizadas e que foram preservadas durante a história, queremos destacar algumas das principais características da Bíblia: 
a) Autoridade: a autoridade das Escrituras significa que todas as palavras nas Escrituras são palavras de Deus, de modo que não crer em alguma palavra da Bíblia ou desobedecer a ela é não crer em Deus ou desobedecer a Ele. 

b) Credibilidade: um livro tem credibilidade se relatou veridicamente os assuntos como aconteceram ou como eles são; e quando seu texto atual concorda com o escrito original. 

c) Inerrância: significa que a verdade é transmitida em palavras que, entendidas no sentido em que foram empregadas e no sentido que realmente se destinavam a ter, não expressam erro algum. A inspiração garante a inerrância da Bíblia. Inerrância não significa que os escritores não tinham faltas na vida, mas que os seus ensinos foram preservados de erros. 

d) Suficiência: dizer que as Escrituras são suficientes significa dizer que a Bíblia contém todas as palavras divinas que Deus quis dar ao seu povo em cada estágio da história da redenção e que hoje contém todas as palavras de Deus que precisamos para a salvação, para que, de maneira perfeita, nEle possamos confiar e a Ele obedecer. A suficiência das Escrituras nos: 
  • Incentiva a tentar descobrir aquilo que Deus quer que pensemos e façamos. 
  • Lembra de que não devemos acrescentar nada à Bíblia nem equiparar algum outro escrito ou revelação moderna à Bíblia. 
  • Diz que Deus não exige que creiamos em nada sobre si mesmo ou sobre sua obra redentora que não se encontre na Bíblia. 
  • Diz que Deus nada exige de nós que não esteja determinado explícita ou implicitamente nas Escrituras. 

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